Comunicação
Bacia de Santos

Grupo de cachalotes é avistado e filmado na Bacia de Santos


Um grupo de 40 cachalotes foi avistado e filmado (veja na matéria) no dia 18 de fevereiro durante a 8ª Campanha de Avistagem Aérea do Projeto de Monitoramento de Cetáceos (PMC) da Bacia de Santos. Executado pela Petrobras através de contrato de prestação de serviços com a empresa Socioambiental Consultores Associados de Florianópolis/SC, o projeto avalia os potenciais impactos decorrentes das atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural sobre os cetáceos (mamíferos de vida aquática, na maior parte em água salgada). O PMC atende a condicionantes das licenças de operação dos FPSOs Cidade de Ilhabela, Cidade de Itaguaí, Cidade de Maricá, Cidade de Saquarema, P-66, P-67, P-69, P-74, P-75, P-76 (Etapa 2) e do Pioneiro de Libra, no polo pré-sal da Bacia de Santos.

Os animais foram observados no litoral de São Paulo, a 303 km de distância da costa de Ilhabela (veja no mapa a localização exata dos cetáceos e das plataformas da Petrobras), através de avistagem aérea, que consiste em campanha de sobrevoo com até dez dias de duração pela Bacia de Santos, de Florianópolis/SC a Arraial do Cabo/RJ. O método de amostragem em curto espaço de tempo, tanto em águas profundas como em águas rasas, possibilita a coleta de dados sobre ocorrência, riqueza, densidade, abundância e distribuição dos cetáceos.

Além da avistagem aérea, no PMC também são utilizadas outras metodologias de abordagem direta para coleta de dados (acústica, telemetria, cruzeiros de avistagens)e indiretas (análises genéticas, bioquímicas, bioacumulação de contaminantes, foto identificação e o monitoramento de parâmetros de saúde) com o objetivo avaliar o estado atual das populações e os potenciais impactos decorrentes da produção de petróleo e gás.

O PMC foi iniciado em agosto de 2015 e até o momento já foram gerados três relatórios anuais que, após serem encaminhados ao IBAMA (órgão ambiental responsável pelo licenciamento ambiental das atividades da empresa), também são divulgados para a sociedade no site www.comunicabaciadesantos.com.br. Além da divulgação dos relatórios, os dados coletados (incluindo imagens e as vocalizações gravadas dos animais) são disponibilizados no SisPMC, desenvolvido com essa finalidade e acessível no endereço: http://sispmc.socioambiental.com.br/sispmc/

O cachalote

Os cachalotes (Physeter macrocephalus) são classificados com o status de conservação vulnerável – a espécie teve reduções populacionais expressivas, causadas pela intensa caça no início do século XVIII e ao longo do século XIX até por volta de 1987 para obtenção de óleo e espermacete (substância cerosa produzida em um órgão localizado na cabeça do animal) para prover iluminação nas cidades, principalmente. Com a proibição da caça, as ameaças passaram a ser a captura incidental em redes de pesca em alto mar e a colisão com grandes embarcações. Seu único predador natural é a Orca.

Tecnicamente, o cachalote não é uma baleia, mas, assim como esta,  é um grande cetáceo marinho. Ele faz parte do grupo de odontocetos (cetáceos que possuem dentes) e ocorre em praticamente todos os oceanos do mundo. Sua dieta inclui peixes e lulas que habitam as profundezas do oceano, a mais de 400 metros de profundidade. Por isso, os cachalotes se desenvolveram para permanecer no fundo do mar por 40 minutos em média na busca por alimento.O pico de nascimentos acontece no final do verão e início da primavera. As fêmeas vivem em grupos com seus filhotes e, em geral, permanecem toda a vida na mesma unidade social. Os machos chegam a ter 18 metros de comprimento, atingindo 57 toneladas de peso, e as fêmeas, 12 metros, com 15 toneladas. Inteligente, possui o maior cérebro entre todos os animais do planeta, pesando entre 7 e 9 kg.

Literatura

O cachalote foi uma das espécies mais exploradas no mundo e, por isso, um grande volume de informações biológicas e comportamentais pode ser coletado ao longo da história. Foi inspiração para o norte-americano Hermann Melville escrever o clássico Moby Dick, com minucioso detalhamento da vida desses mamíferos marinhos, a partir do ataque de um animal ao baleeiro Essex, ocorrido no oceano pacífico em 20 de novembro de 1820. O naufrágio deixou 20 tripulantes à deriva durante três meses. Apesar da fúria descrita na obra, os cachalotes são extremamente sociáveis e apresentam fácil interação com humanos. 

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